O mercado imobiliário brasileiro fechou 2025 com um resultado inédito: o Valor Geral de Lançamentos (VGL) alcançou a marca de R$ 292,3 bilhões, um salto de 10,6% em relação ao registrado em 2024 (CBIC). Mesmo sob um cenário macroeconômico desafiador, com juros elevados e incertezas globais, o setor demonstrou resiliência e conquistou o maior volume de lançamentos e vendas da história recente.
O desempenho, divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), revela um avanço que surpreendeu especialistas e reforça o apelo do setor imobiliário como alternativa sólida de investimento. Os números de 2025 consolidam a força do segmento, trazendo perspectivas animadoras para 2026.
Lançamentos e vendas em alta: o detalhamento do quarto trimestre de 2025
O quarto trimestre de 2025 foi especialmente aquecido para o mercado imobiliário, consolidando a tendência de expansão observada ao longo do ano. Nos últimos três meses, foram registrados recordes em lançamentos, vendas e oferta de imóveis, impulsionados principalmente pelo crescimento do segmento de habitação popular.
Segundo dados da CBIC, 52% dos lançamentos e 49% das vendas no período tiveram como protagonista o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), refletindo a relevância do segmento para o mercado como um todo. No total, o programa respondeu por 69.188 unidades verticais lançadas apenas no quarto trimestre. Esse volume contribuiu de forma decisiva para o VGL recorde, mostrando que a demanda, especialmente entre as faixas de renda mais baixa, segue aquecida mesmo com as condições de crédito desafiadoras.
A oferta total de imóveis residenciais também atingiu patamares inéditos, com uma variedade de produtos que vai desde unidades compactas até opções de médio e alto padrão. Apesar do ambiente de juros altos, as vendas apresentaram crescimento consistente, refletindo tanto a busca por moradia própria quanto o interesse de investidores em ativos imobiliários como proteção contra a inflação.
Minha Casa, Minha Vida lidera lançamentos e vendas em 2025
O programa Minha Casa, Minha Vida foi o grande motor do setor imobiliário em 2025. No acumulado do ano, o MCMV respondeu por 224.842 unidades lançadas e 196.876 unidades vendidas, consolidando sua posição como o principal indutor da produção habitacional no Brasil (CBIC).
A participação dominante do programa é explicada por políticas de subsídio e ampliação das faixas de renda atendidas, além da persistente demanda por moradia entre as camadas populares. Lançamentos de unidades verticais em regiões metropolitanas e cidades de médio porte puxaram o desempenho, colocando o segmento de habitação popular no centro das estratégias das incorporadoras.
Com o MCMV representando mais da metade dos lançamentos e quase metade das vendas no último trimestre, o setor imobiliário conseguiu compensar restrições de crédito e custos elevados de construção, sustentando o ritmo de crescimento em 2025.
Mercado imobiliário 2025: resultados surpreendem mesmo com Selic elevada
O ano de 2025 foi marcado pela manutenção da taxa Selic em patamares elevados, cenário que normalmente restringiria o crédito imobiliário e desaceleraria o mercado. No entanto, o setor mostrou resiliência impressionante, apoiado em fatores como a demanda estrutural reprimida, o déficit habitacional ainda significativo e a atuação de programas públicos como o Minha Casa, Minha Vida.
Segundo a Fundação João Pinheiro (FJP) e ABRAINC, o déficit habitacional brasileiro fechou 2025 em 5,97 milhões de domicílios, uma queda de 3,8% em relação a 2022, mas ainda expressivo (FJP/ABRAINC). Esse indicador explica por que, mesmo diante do custo maior do financiamento, a procura por imóveis segue forte, especialmente entre famílias em busca da primeira moradia.
Analistas do setor destacam que o apetite dos investidores também ajudou a sustentar os números, já que o imóvel é visto como proteção diante das oscilações macroeconômicas. Para Mariana Souza, economista do setor e consultora da CBIC, 'o recorde de VGL mostra que o mercado encontrou caminhos para crescer, diversificando produtos e aproveitando nichos de alta demanda, como o MCMV. Para 2026, o desafio será manter o ritmo com possíveis ajustes na política monetária'.
Perspectivas para 2026: crescimento deve continuar com apoio do déficit habitacional
Com o fechamento histórico de 2025, as expectativas para o próximo ano são otimistas. A CBIC projeta crescimento de 10% nas vendas para 2026, sustentado não apenas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, mas também pela ampliação do crédito imobiliário, que deve atingir R$ 375 bilhões em financiamentos no período (CBIC/ABECIP).
O déficit habitacional, embora em queda, ainda representa uma demanda estrutural robusta e deve seguir impulsionando lançamentos e vendas, principalmente nos segmentos de habitação popular e de entrada. Incorporadoras já sinalizam planos de ampliar portfólios e atuar em novas cidades, de olho no potencial de expansão do setor.
Para investidores, corretores e demais profissionais do mercado imobiliário, o cenário aponta para oportunidades relevantes nos próximos meses. A recomendação é acompanhar de perto as tendências, ajustes em políticas públicas e eventuais mudanças nas condições de financiamento.
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